10 junho, 2006

 

A (de)Scolarização exemplar

Hoje joga-se em Colónia, Alemanha, a segunda mão desse jogo disputado em Alvor a 15 de Janeiro de 1975. Naquela altura outras estrelas brilhavam no firmamento de ambas as selecções. Pelo lado angolano alinhavam magos como o trinco Gentil Neto, Daniel Chipenda (chamado “o dissidente” graças às suas constantes mudanças de velocidade), o guardião Lucas Ngonga, mas sobretudo os grandes pontas Holden “O matador” Roberto, na ala esquerda e Jonas “abutre do planalto” Savimbi na ala direita, o cérebro Agostinho “o poeta” Neto e o número 9, na altura a jovem revelação angolana, José Eduardo “Forbes #10” dos Santos, que se destacaria primeiro no campeonato russo como o artilheiro-mor da competição, feito que veio a repetir em Angola durante cerca de três décadas consecutivas. Esta gesta ficou conhecida por transformar os campos por onde passavam em autênticas “guerras civis”.
Por outro lado, o grémio português alinhava com um onze de sonho. Na baliza pontuava Francisco “o General” da Costa Gomes, conhecido por ter alinhado em todos os emblemas nacionais de maior nomeada. Na direita alinhava José Manuel “o menino rabino” Tengarrinha e na asa esquerda o duríssimo Rosa “Luxemburgo” Coutinho. Os centrais eram Palma “luar de Inverno” Inácio e Carlos “o chinês” Antunes. Mas era do meio campo para a frente que a nossa seleção era realmente mortífera. O trinco era António “casa-grande” Almeida Santos, o homem que destruía o jogo adversário como se em vez dele jogasse um exército de escravos. Na ala direita jogava o homem com a carreira mais duradoura em Portugal, Mário “pisa-bandeiras” Soares, conhecido pelos seus raides mortíferos da esquerda para a direita e da direita para a esquerda conforme o fluxo de jogo. Na extrema-esquerda actuava Vasco “louco enraivecido” Gonçalves, perpetuado na história pelo tipo de jogo que o caracterizava “o gonçalvismo” que (felizmente) nunca ninguém logrou repetir. O armador era Melo “o estratega” Antunes, conhecido pela sua infalível leitura de jogo. Na frente de ataque pontuavam Otelo “o bombista” Saraiva de Carvalho, conhecido por pôr em polvorosa as defesas adversárias e o magnânime Álvaro “bloco de gelo” Cunhal, assim chamado pela frieza e teimosia com que tomava as suas posições ofensivas.
O jogo saldou-se num resultado nuca antes visto. Ambas as equipas perderam. Não obstante, os jogadores das duas equipas reclamaram uma vitória “exemplar” (sic). A equipa portuguesa entrou em progressivo colapso após este jogo de má memória. A maior parte dos atletas foi progressivamente abandonando a competição, e a disputa desse malogrado dia 15 de Janeiro pairou sobre as suas cabeças como uma maldição. O onze de Angola envolveu-se em sangrentas disputas internas que nunca foram sanadas, especialmente entre o eixo Savimbi-Roberto-Dos Santos.

Hoje, o onze de Scolari tem a oportunidade de dar a volta ao resultado mais negativo do palmarés de Portugal. A nossa selecção tem de deixar este legado para trás, de uma vez por todas, sob pena de nunca se fazer devidamente a catarse da contenda algarvia. É necessário uma Scolarização exemplar...

Comments:
Simplesmente genial! Será que não há lugar para outros membros nesse estado utópico.
E não apenas portugueses! Penso que muitos cidadãos da lusofonia se irão rever neste projecto tão ambicioso.
 
Caro Galo Negro,
O Forte é pequeno mas acolhedor. E está aberto a qualquer lusófono empedernido. Cremos que do Daomé irá renascer o que foi outrora Portugal.
Junte-se ao resto da turma que estamos em falta com o sector do aviário.

PS: pelo nome de guerra vejo-o fã do clube da Jamba. Também já torcemos por eles, mas os maus resultados dos últimos anos e o pendurar das botas do ás de trunfo da equipa levaram-nos em direcção a outros rumos...
 
Brilhante!
 
Best regards from NY! »
 
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